Quando a dor menstrual não é normal (poderia ser endometriose)

 

 

Você tem cólicas menstruais graves? Pois não precisaria.

 

Texto: Lara Briden

Tradução: Verónica Gelman (esp) e Marcell Carrasco (port)

Imagem: Alina Tijen Çelik

 

A dor menstrual é bastante comum, por isso tendemos a pensar que é algo natural que simplesmente acompanha a menstruação. No entanto, a dor menstrual “normal” não deveria impedi-la de seguir normalmente com sua vida e deveria desaparecer com uma alimentação e suplementos adequados.

 

Em outras palavras: se a dor não desaparece com um tratamento simples, não é uma dor menstrual normal. É uma forte dor menstrual e pode ser um indicador de um problema de saúde subjacente, como a endometriose ou a adenomiose.

 

Como é a dor menstrual normal?

 

A dor menstrual normal (dismenorreia primária) consiste em algumas cólicas na parte baixa do abdômen ou na região lombar. Ocorre durante o primeiro dia ou nos dois primeiros dias de menstruação e se acalma com ibuprofeno. Além disso, não interfere nas suas atividades diárias. A causa da dor menstrual normal é a liberação de prostaglandina no útero e, em geral, diminui com a idade.

 

A dor menstrual intensa (dismenorreia secundária) consiste em uma dor profunda, com pontadas, queimação, ardor ou fisgadas que duram vários dias e podem ocorrer mesmo no período entre menstruações. Não se acalma com o ibuprofeno e pode ser tão forte que te faz passar mal, vomitar, te impedindo de fazer coisas como trabalhar ou ir à escola.

 

A causa dessa dor menstrual intensa é um problema de saúde subjacente, como a endometriose, adenomiose ou uma disfunção do assoalho pélvico e pode piorar com a idade.

 

Para mais informações, você pode ler (em inglês) “Pain is NOT a symptom of PCOS” (em tradução livre: A dor não é um sintoma da Síndrome do Ovário Policístico).

 

Como tratar a dor menstrual normal? 

 

Aqui compartilho algumas estratégias simples para lidar com a dor menstrual normal: 

 

Evitar laticínios. Eliminar da sua dieta o leite de vaca é a forma mais simples e confiável de evitar a dor menstrual. Ao eliminar os laticínios, evitamos ingerir a proteína caseína A1, que gera inflamação. Ter menos inflamação e menos histamina significa menos dor menstrual. 

 

Para ampliar essa informação, você pode ler (em inglês): “What Dairy Does to Periods” (em tradução livre: O efeito dos lacticínios na menstruação). 

 

Os lacticínios não são os únicos alimentos que geram inflamação. Também o trigo, o óleo vegetal e alimentos ricos em histamina podem ocasionar a dor menstrual. 

 

O magnésio é eficaz tanto na prevenção como no tratamento da dor menstrual aguda. Por exemplo, você pode ingerir 300 mg de magnésio durante o mês para diminuir o nível de prostaglandina no seu corpo. Também pode ingerir uma quantidade extra de magnésio durante a menstruação para aliviar a dor (mas é necessário tomar cuidado para não ingerir em excesso, pois pode gerar diarréia). 

 

O zinco reduz a prostaglandina e melhora a circulação de sangue no útero. Sua utilização deu bons resultados em um teste clínico realizado em 2015 para tratar dores menstruais em adolescentes. Eu costumo pedir exames para saber se existe deficiência de zinco e, nesse caso, prescrevo 30 mg de zinco diários ao longo do mês. 

 

Assim como o magnésio, a cúrcuma é ótima tanto para a prevenção quanto para o tratamento da dor menstrual aguda. Recomendo uma dose diária de um extrato padronizado como prevenção e uma dose extra caso tenha dor durante a menstruação. A cúrcuma também faz com que a menstruação seja consideravelmente menos abundante. 

 

Experimente esses tratamentos durante três meses. Se não notar nenhuma melhora importante, então pergunte ao seu médico ou sua médica: “Pode ser que tenha alguma outra coisa mais?”

 

Você tem endometriose? 

 

A endometriose afeta uma a cada dez mulheres e é um grande problema. Não se trata somente de menstruações dolorosas. De fato, é uma doença inflamatória que afeta o corpo todo, se caracteriza por lesões que apresentam um tecido similar ao revestimento uterino (endométrio), mas que estão fora do útero. Se chamam “lesões de endometriose” ou “endometriomas” (cisto de chocolate) e provocam dores e cicatrizes espalhadas.

 

A dor é o principal sintoma da endometriose, mas não o único. Outros sintomas são: sangramentos entre as menstruações, dor durante o sexo e uma desconcertante variedade de problemas digestivos e urinários. Por exemplo, uma paciente minha tinha dores recorrentes ao urinar e deram para ela diversas receitas de antibióticos que não a ajudaram. Não tinha dor menstrual, mas em um momento finalmente perguntou para sua ginecologista: “Será que eu tenho endometriose?”. Depois de investigar mais profundamente, resultou que sim, tinha lesões de endometriose na bexiga e na uretra, e essa era a causa dos seus problemas urinários. 

 

Não é raro encontrar esse tipo de história. Diagnosticar a endometriose pode levar mais de dez anos, enquanto isso as mulheres sofrem. De todas as adolescentes que se consultam por conta de dores pélvicas crônicas, 70% acaba com um diagnóstico de endometriose. 

 

Não deixe que isso aconteça com você. Não fique uma década sofrendo com dores incapacitantes enquanto te dizem que é “só uma dor menstrual” e que não existe nada que você possa fazer. Recomendo um filme chamado “Endo What?” e também que você converse com seu médico ou sua médica. Diga que sua dor é tanta que não consegue nem ir trabalhar. Pergunte se pode ser endometriose. Lembre-se que um simples ultrassom comum não necessariamente irá detectar a endometriose ou a adenomiose.

 

Já que por enquanto ainda não contamos com um exame não invasivo, a única maneira de diagnosticar e tratar definitivamente a endometriose é a cirurgia laparoscópica. Parece assustador, mas você deveria pelo menos considerar a cirurgia como uma possibilidade, já que uma remoção oportuna pode até – em alguns casos – erradicar a doença. Mesmo nos casos em que a cirurgia não é suficiente para curá-la completamente, reduz significativamente a dor e a inflamação e pode abrir uma porta para você obter melhores resultados com outros tratamentos, sejam farmacológicos ou naturais.

 

Para mais informações sobre tratamentos naturais para a endometriose, você pode ler (em inglês)  “Immune Treatment for Endometriosis” (em tradução livre: Tratamentos imunológicos para endometriose). 

 

Lara Briden

Médica naturopata especializada no ciclo menstrual. Vê o corpo como um sistema lógico e regenerativo que sabe o que fazer quando o suporte apropriado é fornecido. Nos seus vinte anos de prática, aprendeu que os problemas da menstruação respondem incrivelmente bem à nutrição e outros tratamentos naturais. Sua missão é levar essa mensagem às mulheres de todos os lugares para capacitá-las e terem períodos fáceis e assintomáticos.

 

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