Tradutora: Ligia Francilino

Edição: Liz Tibau

 

Se você não leva em conta a ovulação, você não está pensando em saúde

Texto: Lara Briden 

 

Esta é uma carta aberta a todas as pessoas que se dedicam à medicina clínica, ao treinamento físico e aos comunicadores que oferecem conselhos sobre os cuidados da saúde, sem levar os ciclos em conta.

 

Estimado/a:

Os seus conselhos para os cuidados da saúde podem provocar que as suas consulentes deixem de ovular, e isso é um problema, porque a ovulação regular não tem somente a função de fazer bebês, mas também é um indicador importante, ou um “sinal vital” de saúde geral das mulheres. Além disso, a ovulação regular é a única forma em que suas consulentes geram os hormônios que precisam para manter a saúde de seus cérebros, ossos e metabolismo.

Assim como você valoriza a testosterona nos consulentes masculinos, te peço para que valorize o estrogênio e a progesterona nas consulentes femininas. Se você não leva em conta a ovulação, você não está pensando em saúde.

Atenciosamente,

Lara Briden

 

E para as minhas queridas leitoras, eu imploro que transmitam esta mensagem o máximo que puderem, com médicos/as, treinadores/as físicos e comunicadores/as da área da saúde.

Compartilho com vocês alguns aspectos simples que são importantes para entender sobre a ovulação, começando pela pergunta básica: a ovulação é mesmo tão importante?

 

Os benefícios da ovulação

 

Sim, a ovulação é importante. Como aponta a professora de Endocrinologia, Jerilynn Prior, “os ciclos de ovulação são tanto indicadores, como geradores de saúde”. Com “indicadores”, ela se refere que a ovulação regular é um sinal de que está tudo bem com o corpo. Ou seja, há alimento suficiente e não muito estresse. A ovulação regular é também um indicativo de que a glândula tireoide está funcionando bem e que a insulina não está demasiado alta (já que a resistência à insulina altera a ovulação). Com “geradores de saúde”, ela se refere à ovulação como nossa forma de produzir a tão necessária dose de progesterona. É importante recordar que o estrogênio e a progesterona são tão importantes para as mulheres como a testosterona para os homens.

Conselho: Os anticoncepcionais hormonais, não substituem a ovulação regular, pelo simples fato de que a progestina¹ não é progesterona. Para mais informações, leiam este outro artigo (em inglês) The Crucial Difference Between Progesterone and Progestins.

Você pode estar pensando: “nossas ancestrais não menstruavam tanto como nós, então como é que geravam progesterona? ” A resposta é que, nossas ancestrais geravam enormes quantidades de progesterona durante a gestação, por isso, não precisavam de tantos depósitos mensais.

Para ter mais informações, podem ler este artigo (em inglês): Do Women Need Periods?

 

Como detectar a ovulação:

Sinais de uma possível ovulação, são a mucosidade fértil e uma menstruação regular. Sinais definitivos da ovulação são o aumento da temperatura durante as horas de vigília e um aumento da progesterona, medida mediante exame de sangue na metade da fase lútea do ciclo menstrual. Ter uma menstruação regular, não é um sinal definitivo de que existe ovulação, já que é possível ter um ciclo anovulatório. Da mesma forma, os sangramentos induzidos pelas pílulas anticonceptivas não são menstruações! Então, para as pessoas que trabalham na área da saúde: se a mulher que você atende toma pílula, não vai saber se suas recomendações nutricionais estão anulando ou não a ovulação.

 

Para ter mais informações, podem ler este artigo (em inglês): The Right Way to Test Progesterone

 

Os aplicativos de celular para menstruação foram as primeiras tecnologias de “biohacking” (utilização para o autogerenciamento da tecnologia para intervir no corpo e na saúde). Fazer um acompanhamento do nosso ciclo menstrual nos dá um conhecimento imediato sobre o nosso bem estar geral. A menstruação é um “medidor” tão útil, que fico com dó dos homens por não tê-la.

Motivos da falta de ovulação

O motivo mais comum para não ovular é a má alimentação, especialmente a ingestão insuficiente de carboidratos. Isto é chamado de amenorreia hipotalâmica funcional (AHF). Não é exatamente uma desordem física, mas poderíamos considerar uma resposta normal, adaptativa, de uma ingestão nutricional insuficiente. A solução é comer melhor.

O segundo maior motivo para não ovular, é a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) que, na maioria dos casos, responde a uma queda da resistência à insulina.

Para ter mais informações, podem ler o capítulo 7 do meu livro: Como melhorar seu ciclo menstrual (em breve disponível em português, editado por Ginecosofía Ediciones).

 

A AH e a SOP são diferentes em vários sentidos (quase opostos), mas, infelizmente, a AH constantemente é diagnosticada de forma equivocada, como uma SOP “leve”. Em decorrência disso, às mulheres com AH lhes é indicado que reduzam a ingesta de carboidratos (a pior recomendação possível nestes casos).

 

Para ter mais informações, podem ler este artigo (em inglês): Do You Have PCOS or Hypothalamic Amenorrhea—or Both?

 

Outros possíveis motivos para deixar de ovular são problemas na tireóide, tomar anticoncepcionais hormonais, ter deixado de tomar recentemente anticoncepcionais hormonais, ter níveis altos de prolactina, intolerância ao glúten, deficiência de zinco ou uma dieta vegana ou tomar certos medicamentos.

 

 ¹Progestina é um composto sintético do progestagênio que tem efeitos similares aos da progesterona.

 


Lara Briden

Médica naturopata especialista em ciclo menstrual. Vê o corpo como um sistema lógico e regenerativo que sabe o que fazer quando lhe é oferecido o apoio adequado. Nos seus vinte anos de prática, aprendeu que os problemas da menstruação respondem incrivelmente bem à uma boa nutrição e outros tratamentos naturais. Sua missão é levar essa mensagem às mulheres de todas as partes para empoderá-las e que tenham ciclos menstruais fáceis e assintomáticos.

 

 

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